25 de março de 2008

Nicola, encontros perfeitos.

Notinhas. Autocarro. Comboio. Zara "quero trocar este vestido por este". Almoço "Um McMenu Grande Bic Mac" e "Um Swirl Choc'n'Chip". Baixa, Chiado, Chiado, Baixa. NICOLA: "Um dia farei de ti a pessoa mais feliz do Mundo." e "Um dia nunca mais digo um dia"... and so on... Bolas de Berlim. Resultado: dores de pernas e muuuuuuuuita felicidade.
(in, Minhocas na Maçã)

19 de março de 2008

P. #

Caminhávamos em sentidos opostos, sem possibilidade de parar. Era algo que não controlávamos. Mas eu, com este meu querer, quis controlar. Corri, voltei para trás, dei meia volta e volta inteira... Tudo, por tudo e, afinal de contas, por nada. É tal e qual uma pastilha elástica que engana o estômago; algo que remói e magoa, escassos segundos que aceleram o coração e desenham um sorriso, momentos que enganam a alma. Enchem-na? Não, mas eu julgo que sim. E alimento-a dia após dia de tudo isso, que não passa de um nada, de um vazio. E o pior é que surgem quando menos espero, quando não estou capaz de me defender de mim mesma e me torno no meu pior inimigo. Oh, quem me dera... quem me dera...

(O que me vale é que a alma não está vazia e a 'pastilha elástica' não faz um mal tão grande. Aliás, até está muito cheia... Aaah, felicidade, sabe mesmo a felicidade.)
(in, Minhocas na Maçã)

éle

Temos tendência a querer eternizar momentos ou pessoas das quais gostamos muito, mas pensem lá connosco: se tudo e todos fossem eternos onde é que estaria a beleza do Mundo? Afinal, a beleza das coisas está na sua raridade e é o facto de serem raras que as torna especiais.

(Duas cabeças pensam melhor que uma.)
(in, Minhocas na Maçã)

18 de março de 2008

Yesterday

- Vês, como saímos de casa fez Sol.
- Hum, sabes que se tivéssemos ficado em casa teria feito Sol na mesma, não sabes?
- Tinhas de estragar o nosso momento.
(in, Minhocas na Maçã)

13 de março de 2008

Importância da Leitura

A mini-biblioteca lá de casa é o meu Mundo. É uma divisão como todas as outras: um pequeno sofá encostado à parede, um tapete que cobre grande parte do soalho, uma janela que me permite voar e viajar aos pequenos Mundos que ganham pó naquela estante. Não vos falei da estante? A estante lá de casa é o meu passaporte de viagem. A bagagem é dispensável e o pagamento inexistente. Preciso apenas de três coisas: de mim, da minha imaginação e dos livros. Não vos falei dos livros? Falei sim, são os pequenos Mundos que ganham pó naquela estante.

Todas as tardes, depois de um dia de aulas, largo a mochila no chão do quarto e desço as escadas euforicamente em direcção ao meu Mundo. Nos dias mais frios, os de Inverno, sento-me no sofá acastanhado e já habituado a mim. Já nos dias quentes, os de Verão, abro a janela e acomodo-me no chão de pedra da varanda, aquecido pelo sol ao longo do dia, como se estivesse à minha espera.

Hoje é um dia de Verão. Dirijo-me à estante, percorro-a calmamente com os meus olhos e finalmente páro: é Aquele! Meio avermelhado, de lombada fina; uma viagem curta mas de longa distância. Inspiro o máximo que os meus pulmões me permitem; fecho os olhos, liberto o ar de uma vez só. O pó dança num compasso já ensaiado…

Como que por magia não estou na minha varanda. Estou num lugar desconhecido e bizarro. As pessoas não são pessoas, são letras. As famílias de pessoas não são famílias de pessoas, são famílias de letras, as chamadas palavras. O Mundo das pessoas não é o Mundo das pessoas, é o Mundo das palavras. Ou melhor, é o Mundo das pessoas e das palavras, porque sem pessoas não existem palavras e dificilmente existem pessoas sem palavras. São dois Mundos intimamente ligados; arrisco-me a afirmar que são inseparáveis. Nós possuímos as cordas vocais, a língua, a mente, as mãos. Possuímos as palavras. E não há nada melhor que um livro para tirarmos partido delas.

Um livro é mais do que um conjunto de folhas numeradas, é um ensinamento, um produto da cultura, um pedaço do nosso Mundo; e ler um livro não é apenas passar páginas, é uma completa lição de crescimento. Se hoje utilizo determinada palavra nos meus textos é porque ontem a li algures numa frase e me acostumei à sua grafia, ao seu som e, especialmente, ao seu significado. Conhecer uma palavra não é apenas decorar as suas letras, é inútil se não soubermos o que significa pois isto implica que não saibamos o momento oportuno para a utilizarmos. Um livro ensina-nos tudo isso. Oferece-nos uma palavra, inserida num determinado contexto a partir do qual poderemos conhecer a chamada face abstracta da palavra, ou seja, o seu significado, que nos permitirá saber onde e quando utilizá-la. É verdade que nem tudo se expressa por palavras, mas é também verdade que quanto maior for o nosso conhecimento maior será a capacidade de nos exprimirmos assim como a capacidade de compreender os outros e, consequentemente, a intenção com que nos dirigem determinadas palavras. Facilita, e muito, a comunicação entre as pessoas, algo essencial a todos.

Continuo a vaguear pelo meu livro de lombada fina e capa avermelhada. Viajo e viajo e percorro todo o Mundo. Conheço culturas diferentes da minha e formas de estar perante o Mundo que a mim nada dizem; aliás, não eram de todo do meu conhecimento. Com apenas três páginas atravesso o oceano atlântico, com uma percorro a América seguindo com três parágrafos para África.

Acabou. A magia desapareceu, o livro chegou ao fim e com um ponto final volto à minha varanda, ainda a tempo de observar o pôr-do-sol de uma bela tarde de Verão. Guardo o livro de lombada fina e capa avermelhada no mesmo sítio em que o encontrei. Inspiro e expiro vagarosamente, e com um último suspiro fecho a porta soltando somente um até amanhã (à mesma hora).


(in, Minhocas na Maçã)

4 de março de 2008

acrobacias.

Não, o Mundo não anda de pernas para o ar; anda direitinho como sempre andou. Eu, eu sim é que ando de pernas para o ar. Tudo me sobe à cabeça e acaba tudo por explodir. É conforme a inclinação que o vento me dá.

Existem dias em que nem o vento sopra e o equilíbrio fica todo nas minhas mãos. Mas mãos tenho apenas duas. Gostava de me lembrar disso todo o santo dia, toda a santa hora, todo o santo minuto. Mas faço por me esquecer; agarro daqui, puxo dali, ajudo acolá... Mas mãos tenho apenas duas. E pequenas. E não muito fortes. Não resistem a muitos dos encontrões dados; e o equilíbrio? Esse já lá vai...
(in, Minhocas na Maçã)

1 de março de 2008

podemos repetir?

Hoje deu-me para vasculhar as pastas mais antigas e refundidas do meu computador. Descobri músicas que não fazia ideia que as tinha, textos que não me lembro de os ter lido e, o mais importante, fotografias. Sim, fotografias! Fotografias que me reavivaram a memória e me fizeram querer recuar no tempo (ou avançar, depende da perspectiva). Sabe bem relembrar certos momentos.

Uma das pastas chamou-me particularmente a atenção; e desta sim, eu lembrava-me, e bem! Uma ida ao Jardim Zoológico! Um dia de Primavera inigualável! Ora, como gostei imenso de umas fotografias que tirámos por lá, vou fazer o obséquio de as partilhar com a meia dúzia de pessoas que de vez em quando passam por cá.











Muitas vezes as pessoas têm a mania de nos questionar com aquela célebre pergunta: se fosses um animal qual serias? Pois bem, eu seria o ZOO inteiro. Cortava-me aos bocadinhos e era um pouco de cada.

(in, Minhocas na Maçã)